
Capitulo 03: Algo estranho
O salão do conselho de Lágnaetti estava mergulhado em silêncio. Apenas o vento frio da manhã atravessava as janelas abertas, arrastando folhas secas pelos corredores de pedra.
Haldor Skarsson permanecia de pé diante da mesa do conselho, a postura firme e imponente. Seu olhar percorreu lentamente todos os presentes antes de falar.
— Começaremos a sessão.
Sua voz ecoou pelo salão.
— Passo a palavra a Varyn Tagaer, conselheiro mais próximo a mim.
Varyn Tagaer levantou-se, ajeitando o manto sobre os ombros. Sua voz era firme, mas calculada:
— Senhor Haldor, considerando que não há provas suficientes de que Martins Alexxander tenha realmente avistado o Kael’Zuun, proponho que ele permaneça preso, sob custódia da Guarda de Lágnaetti. Além disso, sugiro uma busca pelos restos mortais dos soldados mortos, para que possam ser estudados e compreendidos.
Antes que pudesse continuar, Ossian interrompeu, com a voz carregada de indignação:
—Como assim, permanecer preso? O que ele fez foi uma violação grave! Desertou do grupo e fugiu para casa, alegando ter visto um Kael’Zuun. Isso está claro!
— Ossian, você como sempre sendo extremo — retrucou Varyn Tagaer, visivelmente irritado.
— E você, como sempre, bonzinho demais — respondeu Ossian.
—Somos vigias da fronteira de Valdrenn e conselheiros reais dos Skarsson há tempo suficiente, Senhor Haldor — continuou Ossian, elevando o tom. — Se Lágnaetti ficar conhecida por tolerar soldados desertores, será um grande problema.
Varyn Tagaer cruzou os braços, um brilho de desafio nos olhos.
—E o que você sugere, Ossian? Que levemos o rapaz à forca?
Um murmúrio percorreu o salão. O pai de Martins, Alexxanders Terell, aproximou-se de Haldor, os olhos suplicantes:
—Meu senhor, por favor, poupe meu filho.
Haldor voltou seu olhar para o homem, percebendo a angústia de um pai diante da possibilidade de perder seu único filho. Respirou fundo e ergueu a mão, silenciando todos:
—Calma. Não creio que o jovem tenha desertado seus companheiros. Ele pode estar dizendo a verdade. — Olhou para Rothgar. — Rothgar, compartilhe o que sabe sobre a criatura e a possibilidade de que a história do jovem seja verídica.
Rothgar levantou-se lentamente e pegou um pergaminho antigo que estava sobre a mesa.
— Analisei alguns registros que correspondem à descrição dada por Martins Alexxander. Embora ele não tenha trazido vestígios físicos, muitos detalhes coincidem com relatos antigos.
Ele abriu o documento e começou a ler:
“Eles não são totalmente vivos nem mortos. Parte de sua essência está presa ao vazio concedido por Tronvix.”
“A presença de um Kael’Zuun altera o ambiente: a temperatura cai, o ar torna-se pesado e os sons parecem abafados.”
“Em sua presença, até os mortos próximos podem se erguer novamente.”
O salão mergulhou em silêncio.
Rothgar continuou:
“Ao contrário do que muitos acreditam, os Kael’Zuun são extremamente inteligentes e capazes de se comunicar entre si.”
—Certo, Rothgar, muito obrigado — disse Haldor.
—Que isso, meu senhor, apenas cumpri meu dever — respondeu Rothgar, modesto.
—Então… se for o único Kael’Zuun sobrevivente, devemos caçá-lo? — perguntou Ossian, a voz firme, provocando novos murmúrios.
Haldor permaneceu em silêncio por alguns segundos antes de responder.
— Já enviei um pergaminho ao rei.
Os conselheiros se entreolharam.
— Devo receber resposta dentro de alguns dias.
Varyn franziu o cenho.
— Você enviou uma mensagem ao rei sem reunir o conselho antes?
— Sim.
Haldor levantou-se da cadeira.
— Não quis esperar dois ou três dias de discussões enquanto uma possível ameaça vaga livre pela fronteira.
Ele pousou uma mão sobre a mesa, o olhar firme sobre cada conselheiro.
— E agora — disse, apontando para a janela — precisamos olhar para além destas muralhas.
Martins Alexxander permaneceu imóvel, o olhar fixo no chão. Cada palavra de Rothgar ainda queimava em sua mente, e o peso do julgamento parecia apertar seu peito. Ele sentia-se entre dois mundos: o da incredulidade e o da verdade silenciosa que carregava desde o ataque.
Seu pai, Alexxanders Terell, não desgrudava os olhos do filho. Cada gesto de Martins, cada suspiro, era absorvido com um misto de esperança e medo. Suas mãos tremiam levemente, mas sua voz saiu firme, apesar da angústia:
—Meu senhor Haldor… meu filho não mentiria. Ele viu o que viu. Peço apenas que seja ouvido com justiça.
O silêncio voltou a cair sobre o salão. Alguns conselheiros trocaram olhares discretos, outros murmuravam entre si, ponderando o peso do que acabara de ser dito. Martins finalmente ergueu o olhar, encontrando os olhos de Haldor, e, pela primeira vez, sentiu que alguém podia compreender a gravidade do que testemunhara.
— Não posso provar… — começou Martins, a voz baixa, mas firme. — Mas juro que o Kael’Zuun estava lá. Ele… me deixou vivo.
Um sussurro percorreu o salão. Os conselheiros se inclinaram levemente, atentos. Rothgar fez um gesto quase imperceptível, apoiando as palavras do jovem. Haldor, por sua vez, manteve a postura calma, mas seus olhos refletiam a ponderação de um líder que sabia: decisões precipitadas poderiam custar vidas, mas a demora também poderia ser fatal.
—Martins — disse Haldor, a voz grave, mas serena —, você entende a gravidade da situação. O que relata não é apenas um avistamento; se suas palavras forem verdadeiras, o Kael’Zuun representa um perigo que não podemos ignorar.
O jovem engoliu em seco, sentindo o peso da responsabilidade esmagar seus ombros.
—Sim, senhor… — respondeu. — Eu entendo.
Alexxanders Terell se inclinou, apertando levemente o braço do filho. Um gesto silencioso de apoio, mas também de medo. Haldor observou a cena com atenção, compreendendo a tensão que ia muito além de protocolos militares ou políticas da fortaleza: havia vida, e talvez morte, em jogo.
—Então está decidido que… — começou Varyn Tagaer, hesitante — que Martins participará da expedição?
Haldor ergueu a mão, interrompendo-o.
—Não podemos decidir sozinhos — disse ele. — Enviei um pergaminho ao rei, solicitando autorização para que o batalhão de Lágnaetti seja enviado para a expedição. Sem a confirmação real, qualquer movimento seria imprudente.
Ossian franziu o cenho, murmurando para si mesmo:
—Então ficaremos de braços cruzados enquanto a criatura vaga livre…
—Não — respondeu Haldor, firme —, mas devemos agir com cautela. O rei precisa aprovar o envio do batalhão. Uma vez autorizado, a expedição partirá imediatamente, com Martins como guia.
Rothgar se levantou, olhando para os presentes:
—Enquanto aguardamos a resposta do rei, podemos planejar a logística e estudar os registros antigos sobre Kael’Zuun. Assim, quando o batalhão for autorizado, estaremos preparados.
O clima no salão tornou-se pesado. Cada respiração parecia ecoar entre as paredes de pedra. O destino de Martins, a segurança da fortaleza e a verdade sobre o Kael’Zuun dependiam agora de decisões tomadas a quilômetros de distância, no gabinete do rei.
Haldor caminhou até a grande janela que dava para as muralhas da fortaleza.
O vento frio ergueu sua capa.
— Lágnaetti é a primeira linha de defesa de Valdrenn.
Ele apontou para a floresta distante.
— Não esperaremos o inimigo chegar até nós.
O salão ficou em silêncio.
— Quando o rei responder… partiremos imediatamente.
Haldor então virou-se para Martins.
— E agora — disse, apontando para a janela — precisamos olhar para além destas muralhas.
Martins Alexxander permaneceu imóvel, o olhar fixo no chão. Cada palavra de Rothgar ainda queimava em sua mente, e o peso do julgamento parecia apertar seu peito. Ele sentia-se entre dois mundos: o da incredulidade e o da verdade silenciosa que carregava desde o ataque.
Seu pai, Alexxanders Terell, não desgrudava os olhos do filho. Cada gesto de Martins, cada suspiro, era absorvido com um misto de esperança e medo. Suas mãos tremiam levemente, mas sua voz saiu firme, apesar da angústia:
—Meu senhor Haldor… meu filho não mentiria. Ele viu o que viu. Peço apenas que seja ouvido com justiça.
O silêncio voltou a cair sobre o salão. Alguns conselheiros trocaram olhares discretos, outros murmuravam entre si, ponderando o peso do que acabara de ser dito. Martins finalmente ergueu o olhar, encontrando os olhos de Haldor, e, pela primeira vez, sentiu que alguém podia compreender a gravidade do que testemunhara.
— Não posso provar… — começou Martins, a voz baixa, mas firme. — Mas juro que o Kael’Zuun estava lá. Ele… me deixou vivo.
Um sussurro percorreu o salão. Os conselheiros se inclinaram levemente, atentos. Rothgar fez um gesto quase imperceptível, apoiando as palavras do jovem. Haldor, por sua vez, manteve a postura calma, mas seus olhos refletiam a ponderação de um líder que sabia: decisões precipitadas poderiam custar vidas, mas a demora também poderia ser fatal.
—Martins — disse Haldor, a voz grave, mas serena —, você entende a gravidade da situação. O que relata não é apenas um avistamento; se suas palavras forem verdadeiras, o Kael’Zuun representa um perigo que não podemos ignorar.
O jovem engoliu em seco, sentindo o peso da responsabilidade esmagar seus ombros.
—Sim, senhor… — respondeu. — Eu entendo.
Alexxanders Terell se inclinou, apertando levemente o braço do filho. Um gesto silencioso de apoio, mas também de medo. Haldor observou a cena com atenção, compreendendo a tensão que ia muito além de protocolos militares ou políticas da fortaleza: havia vida, e talvez morte, em jogo.
—Então está decidido que… — começou Varyn Tagaer, hesitante — que Martins participará da expedição?
Haldor ergueu a mão, interrompendo-o.
—Não podemos decidir sozinhos — disse ele. — Enviei um pergaminho ao rei, solicitando autorização para que o batalhão de Lágnaetti seja enviado para a expedição. Sem a confirmação real, qualquer movimento seria imprudente.
Ossian franziu o cenho, murmurando para si mesmo:
—Então ficaremos de braços cruzados enquanto a criatura vaga livre…
—Não — respondeu Haldor, firme —, mas devemos agir com cautela. O rei precisa aprovar o envio do batalhão. Uma vez autorizado, a expedição partirá imediatamente, com Martins como guia.
Rothgar se levantou, olhando para os presentes:
—Enquanto aguardamos a resposta do rei, podemos planejar a logística e estudar os registros antigos sobre Kael’Zuun. Assim, quando o batalhão for autorizado, estaremos preparados.
O clima no salão tornou-se pesado. Cada respiração parecia ecoar entre as paredes de pedra. O destino de Martins, a segurança da fortaleza e a verdade sobre o Kael’Zuun dependiam agora de decisões tomadas a quilômetros de distância, no gabinete do rei.
Haldor caminhou até a grande janela que dava para as muralhas da fortaleza.
O vento frio ergueu sua capa.
— Lágnaetti é a primeira linha de defesa de Valdrenn.
Ele apontou para a floresta distante.
— Não esperaremos o inimigo chegar até nós.
O salão ficou em silêncio.
— Quando o rei responder… partiremos imediatamente.
Haldor então virou-se para Martins.
— E você virá conosco.
O jovem sentiu um frio percorrer sua espinha.
A expedição não seria apenas uma busca.
Seria uma jornada para dentro de algo que não deveria existir.
Lá fora, o vento uivava nas muralhas.
Como se a própria fortaleza pressentisse a tempestade que se aproximava.
Enquanto decisões eram tomadas nas muralhas de Lágnaetti…
O jovem sentiu um frio percorrer sua espinha.
A expedição não seria apenas uma busca.
Seria uma jornada para dentro de algo que não deveria existir.
Lá fora, o vento uivava nas muralhas.
Como se a própria fortaleza pressentisse a tempestade que se aproximava.
o destino começava a se mover em outro lugar, O sol acabava de surgir sobre Valverde...espalhando uma luz pálida entre os telhados de madeira. A vila despertava lentamente, com o som de portas se abrindo, animais sendo alimentados e o cheiro de pão fresco preenchendo o ar frio da manhã.
Dart, Cedric e Magnes retornavam da floresta, cansados e cobertos de poeira.
— Ah, que droga… — resmungou Dart, jogando-se em uma cadeira do lado de fora da taverna. — Passamos a noite inteira e nada daquela criatura.
Cedric encostou-se na parede, cruzando os braços.
— Pare de reclamar. Você passou metade da noite dormindo.
— Eu estava economizando energia.
Magnes suspirou, olhando a estrada vazia.
— Precisamos de algo maior. Faz dias que não fazemos nada relevante pela aldeia.
Cedric assentiu.
— A vila depende de nós.
Dart levantou-se de repente.
— Chega. Vamos beber. Dessa vez eu pago.
Magnes arqueou a sobrancelha.
— Isso eu quero ver.
— Depois pensamos em outro plano. E vamos trazer um cervo de verdade.
Ela deu um leve sorriso.
— Está bem.
Eles entraram na taverna.
O ambiente ainda estava meio vazio, mas alguns homens já bebiam desde cedo. O cheiro de álcool e madeira velha dominava o lugar.
Um homem no fundo gritou:
— Olha lá! O trio de Valverde!
Outro riu.
— Voltaram de mãos vazias!
As risadas ecoaram.
Cedric ignorou. Dart fez um gesto rude. Magnes apenas caminhou.
Sentaram-se.
A taverneira aproximou-se.
— O que vão querer? E vão pagar?
— Claro — respondeu Dart.
Antes que ela saísse, uma voz interrompeu:
— Não se preocupe. É por minha conta.
Os três viraram ao mesmo tempo.
Um homem estava sentado ao lado. Jovem, postura rígida, roupas simples de viagem, mas de boa qualidade.
Cedric estreitou os olhos.
Dart apontou discretamente.
— Esse símbolo… no seu braço. É da Casa Skarsson?
Magnes observou com atenção.
O homem tomou um gole de cerveja.
— Não façam alarde. Sim. Mas não sou um Skarsson. Sou oficial de Lágnaetti.
O clima na mesa mudou.
Cedric inclinou a cabeça.
— O que um oficial faz tão longe da fortaleza?
— Uma missão.
— Importante? — perguntou Dart.
— Sim.
— Nome? — disse Cedric.
— Maxxiel Lathell.
— Cedric.
— Dart.
Magnes apenas assentiu.
Maxxiel observou os três por alguns segundos.
— Vocês parecem acostumados com a estrada.
— Caçadores — respondeu Cedric.
— Estávamos atrás de um cervo — completou Dart. — Sem sucesso.
— Falta de disciplina — disse Magnes.
Dart bufou.
— Traição.
Maxxiel olhou para ela.
— E você? Também caça?
— Às vezes — respondeu.
— Ela luta melhor que muitos homens daqui — disse Dart.
Magnes lançou-lhe um olhar frio.
— Fique quieto.
Maxxiel percebeu a tensão.
— Preciso de guias. Pessoas que conheçam rotas seguras até a capital.
Cedric ficou atento.
— Isso não é comum.
— Não.
Magnes inclinou a cabeça.
— Quanto?
— Dez mil Lunáris.
Dart quase engasgou.
Cedric sorriu.
— Nós o levaremos.
Magnes virou lentamente.
— Quem disse?
Cedric a encarou.
— Você queria algo maior.
Maxxiel falou, cauteloso:
— Não conheço bem esta região. Preciso chegar rápido e em segurança. Se recusarem, terei que seguir sozinho.
O silêncio caiu.
Magnes olhou pela janela.
Sua casa.
Vida simples.
Rotina.
Ela voltou o olhar.
— Está bem. Mas apenas desta vez.
O alívio de Maxxiel foi visível.
— Partiremos hoje.
— Não — disse Magnes.
— Por quê?
— Não temos cavalos.
Maxxiel piscou.
Cedric cruzou os braços.
— A pé levaríamos semanas.
Maxxiel assentiu.
— Comprarei os cavalos. Encontro vocês na saída da vila.
Ele se levantou, mas antes de sair, hesitou.
— Algo está errado no norte. Vocês vão sentir isso também.
Ele saiu.
O silêncio voltou.
Dart sorriu.
— Dez mil Lunáris.
Cedric não.
— Isso não é apenas uma missão.
Magnes concordou.
— Não.
O pressentimento voltou.
Mais forte.
E, pela primeira vez, a sensação era clara
Eles estavam caminhando para o centro de algo que poderia mudar o mundo.
Dart, Cedric e Magnes retornavam da floresta, cansados e cobertos de poeira.
— Ah, que droga… — resmungou Dart, jogando-se em uma cadeira do lado de fora da taverna. — Passamos a noite inteira e nada daquela criatura.
Cedric encostou-se na parede, cruzando os braços.
— Pare de reclamar. Você passou metade da noite dormindo.
— Eu estava economizando energia.
Magnes suspirou, olhando a estrada vazia.
— Precisamos de algo maior. Faz dias que não fazemos nada relevante pela aldeia.
Cedric assentiu.
— A vila depende de nós.
Dart levantou-se de repente.
— Chega. Vamos beber. Dessa vez eu pago.
Magnes arqueou a sobrancelha.
— Isso eu quero ver.
— Depois pensamos em outro plano. E vamos trazer um cervo de verdade.
Ela deu um leve sorriso.
— Está bem.
Eles entraram na taverna.
O ambiente ainda estava meio vazio, mas alguns homens já bebiam desde cedo. O cheiro de álcool e madeira velha dominava o lugar.
Um homem no fundo gritou:
— Olha lá! O trio de Valverde!
Outro riu.
— Voltaram de mãos vazias!
As risadas ecoaram.
Cedric ignorou. Dart fez um gesto rude. Magnes apenas caminhou.
Sentaram-se.
A taverneira aproximou-se.
— O que vão querer? E vão pagar?
— Claro — respondeu Dart.
Antes que ela saísse, uma voz interrompeu:
— Não se preocupe. É por minha conta.
Os três viraram ao mesmo tempo.
Um homem estava sentado ao lado. Jovem, postura rígida, roupas simples de viagem, mas de boa qualidade.
Cedric estreitou os olhos.
Dart apontou discretamente.
— Esse símbolo… no seu braço. É da Casa Skarsson?
Magnes observou com atenção.
O homem tomou um gole de cerveja.
— Não façam alarde. Sim. Mas não sou um Skarsson. Sou oficial de Lágnaetti.
O clima na mesa mudou.
Cedric inclinou a cabeça.
— O que um oficial faz tão longe da fortaleza?
— Uma missão.
— Importante? — perguntou Dart.
— Sim.
— Nome? — disse Cedric.
— Maxxiel Lathell.
— Cedric.
— Dart.
Magnes apenas assentiu.
Maxxiel observou os três por alguns segundos.
— Vocês parecem acostumados com a estrada.
— Caçadores — respondeu Cedric.
— Estávamos atrás de um cervo — completou Dart. — Sem sucesso.
— Falta de disciplina — disse Magnes.
Dart bufou.
— Traição.
Maxxiel olhou para ela.
— E você? Também caça?
— Às vezes — respondeu.
— Ela luta melhor que muitos homens daqui — disse Dart.
Magnes lançou-lhe um olhar frio.
— Fique quieto.
Maxxiel percebeu a tensão.
— Preciso de guias. Pessoas que conheçam rotas seguras até a capital.
Cedric ficou atento.
— Isso não é comum.
— Não.
Magnes inclinou a cabeça.
— Quanto?
— Dez mil Lunáris.
Dart quase engasgou.
Cedric sorriu.
— Nós o levaremos.
Magnes virou lentamente.
— Quem disse?
Cedric a encarou.
— Você queria algo maior.
Maxxiel falou, cauteloso:
— Não conheço bem esta região. Preciso chegar rápido e em segurança. Se recusarem, terei que seguir sozinho.
O silêncio caiu.
Magnes olhou pela janela.
Sua casa.
Vida simples.
Rotina.
Ela voltou o olhar.
— Está bem. Mas apenas desta vez.
O alívio de Maxxiel foi visível.
— Partiremos hoje.
— Não — disse Magnes.
— Por quê?
— Não temos cavalos.
Maxxiel piscou.
Cedric cruzou os braços.
— A pé levaríamos semanas.
Maxxiel assentiu.
— Comprarei os cavalos. Encontro vocês na saída da vila.
Ele se levantou, mas antes de sair, hesitou.
— Algo está errado no norte. Vocês vão sentir isso também.
Ele saiu.
O silêncio voltou.
Dart sorriu.
— Dez mil Lunáris.
Cedric não.
— Isso não é apenas uma missão.
Magnes concordou.
— Não.
O pressentimento voltou.
Mais forte.
E, pela primeira vez, a sensação era clara
Eles estavam caminhando para o centro de algo que poderia mudar o mundo.
O sol ainda derramava seus primeiros raios sobre Velkárion quando o rei Alaric Sollriel convocou seus filhos, generais e conselheiros para uma reunião de extrema importância.
— Marfin, reúna todos em duas horas. É de vital importância — ordenou ele, a voz grave ecoando pelos corredores do palácio.
A convocação inesperada espalhou-se rapidamente pela fortaleza. Quando os convidados começaram a chegar ao grande salão do conselho, o ambiente já estava carregado de especulações.
— Acho que o pai deve estar ficando maluco — resmungou Valerius Sollriel, o primogênito, cruzando os braços. — Talvez queira renunciar e passar o reino para mim.
Caelum Sollriel ergueu uma sobrancelha.
— Não creio. Nosso pai está no trono há mais de quarenta anos. Não vai simplesmente entregar Velkárion assim. Então… o que será?
Valerius deu de ombros.
— Não faço ideia. A última reunião desse tipo foi durante a guerra… quase seis anos atrás.
O som pesado das portas do salão ecoou pelas colunas de pedra.
O silêncio caiu imediatamente.
O rei Alaric Sollriel entrou lentamente. Cada passo era firme e calculado. Sua presença, por si só, bastava para dominar o ambiente.
— Meus caros… peço desculpas pela espera.
Valerius inclinou-se na cadeira, impaciente.
— Pai, o que há com essa reunião? Eu estava me divertindo ontem.
O rei lançou-lhe um olhar breve.
— Sempre impaciente, Valerius.
Ele caminhou até o trono e tomou seu lugar.
— Vamos começar.
Alaric voltou-se para seu conselheiro.
— Marfin, todos estão presentes?
— Sim, Vossa Majestade.
O rei percorreu o salão com os olhos.
Então disse:
— Depois de tantos anos… finalmente temos uma chance real de derrotar Valdrenn.
O choque foi imediato.
— Como? — perguntou Ralph.
— Isso é impossível — disse Marfin.
— Mesmo com nossas alianças — acrescentou Rhodolpfo — não temos força suficiente para enfrentá-los.
O rei permaneceu em silêncio por alguns segundos.
Então… riu.
Uma gargalhada profunda e inesperada ecoou entre as colunas do salão.
— Ele enlouqueceu… — murmurou Caelum.
Naquele instante, o ambiente mudou.
Não havia vento, mas as chamas das tochas tremularam como se algo invisível tivesse atravessado o salão.
Atrás do trono, o ar pareceu distorcer-se, como o calor que dança sobre o deserto. A luz se curvou por um breve momento…
…e então alguém estava ali.
Sem portal.
Sem explosão de poder.
Apenas presença.
O homem surgiu como se sempre tivesse estado naquele lugar.
Alto. Esguio. Sereno.
Vestia roupas simples, mas de corte refinado. Seus cabelos loiros caíam até os ombros.
O rosto era marcado por símbolos azul-marinho escritos na antiga língua **Thürkratyr**.
Não eram tatuagens comuns.
Eram runas.
Antigas.
Sagradas.
Temidas.
Proibidas em muitos reinos.
Marfin arregalou os olhos.
— Isso… é impossível…
Edgardo, o erudito, inclinou-se para frente, fascinado.
— Thürkratyr… essa língua desapareceu há séculos.
As runas não se moviam, mas havia nelas um peso silencioso — como se carregassem memórias de eras esquecidas.
O homem caminhou lentamente. Seus passos eram suaves, mas cada movimento parecia ecoar na mente dos presentes.
Ele parou ao lado do trono.
O rei levantou-se.
— Senhores… apresento aquele que mudará o destino de Velkárion.
Valerius cruzou os braços.
— Palavras grandiosas para alguém que aparece do nada.
O homem respondeu com calma:
— A desconfiança é prudente.
Sua voz era firme, controlada, com um leve sotaque que ninguém reconhecia.
— Por isso não lhes peço fé. Apenas atenção.
Ele estendeu a mão em direção ao grande mapa de Anossovan, exposto no centro do salão.
— Não vim aqui para criar falsas esperanças…
Seu dedo tocou um ponto específico do mapa.
— Eu sou a esperança.
O dedo repousou sobre Valdrenn.
O silêncio tornou-se absoluto.
— Podemos conquistar Valdrenn. Seus portos. Suas muralhas. Seus exércitos.
Os conselheiros trocaram olhares tensos.
— Existe um minério mais antigo que os reinos — continuou ele. — Mais raro que qualquer prata ou ouro.
— Divino? — perguntou Marfin.
— Não. Apenas… anterior à nossa era.
Ele continuou:
— Com esse metal, podemos forjar armaduras que não se quebram. Armas que resistem a impactos impossíveis. Lâminas que não se rendem ao ferro, ao aço ou ao ouro.
Ralph respirou fundo.
— Se isso for verdade…
Caelum deu um passo à frente.
— E você sabe onde ele está?
O homem assentiu.
— Sei.
O rei falou:
— Foi por isso que o trouxe.
Valerius estreitou os olhos.
— E o que quer em troca?
O homem o encarou diretamente.
— Nada.
Uma breve pausa.
— Apenas que Valdrenn caia.
O murmúrio cresceu.
— Se eles encontrarem esse minério primeiro — continuou ele — o equilíbrio entre os reinos será destruído. Valdrenn se tornará soberano absoluto… e todas as outras nações cairão uma a uma.
Rhodolpfo perguntou:
— O que propõe?
— Uma missão secreta. Pequena. Rápida. Invisível.
— Isso é loucura — disse Marfin.
— É necessidade — respondeu o rei.
O silêncio voltou a dominar o salão.
Valerius aproximou-se.
— Se vai lutar ao nosso lado… diga seu nome.
O homem permaneceu imóvel por alguns instantes.
Então respondeu:
— Azaelor.
Uma breve pausa.
— Chamam-me de Feiticeiro Arcano.
O salão permaneceu em silêncio.
Não por medo. Mas pela crescente certeza de que o mundo estava prestes a mudar. E, desta vez, Velkárion não seria apenas um espectador.
— Marfin, reúna todos em duas horas. É de vital importância — ordenou ele, a voz grave ecoando pelos corredores do palácio.
A convocação inesperada espalhou-se rapidamente pela fortaleza. Quando os convidados começaram a chegar ao grande salão do conselho, o ambiente já estava carregado de especulações.
— Acho que o pai deve estar ficando maluco — resmungou Valerius Sollriel, o primogênito, cruzando os braços. — Talvez queira renunciar e passar o reino para mim.
Caelum Sollriel ergueu uma sobrancelha.
— Não creio. Nosso pai está no trono há mais de quarenta anos. Não vai simplesmente entregar Velkárion assim. Então… o que será?
Valerius deu de ombros.
— Não faço ideia. A última reunião desse tipo foi durante a guerra… quase seis anos atrás.
O som pesado das portas do salão ecoou pelas colunas de pedra.
O silêncio caiu imediatamente.
O rei Alaric Sollriel entrou lentamente. Cada passo era firme e calculado. Sua presença, por si só, bastava para dominar o ambiente.
— Meus caros… peço desculpas pela espera.
Valerius inclinou-se na cadeira, impaciente.
— Pai, o que há com essa reunião? Eu estava me divertindo ontem.
O rei lançou-lhe um olhar breve.
— Sempre impaciente, Valerius.
Ele caminhou até o trono e tomou seu lugar.
— Vamos começar.
Alaric voltou-se para seu conselheiro.
— Marfin, todos estão presentes?
— Sim, Vossa Majestade.
O rei percorreu o salão com os olhos.
Então disse:
— Depois de tantos anos… finalmente temos uma chance real de derrotar Valdrenn.
O choque foi imediato.
— Como? — perguntou Ralph.
— Isso é impossível — disse Marfin.
— Mesmo com nossas alianças — acrescentou Rhodolpfo — não temos força suficiente para enfrentá-los.
O rei permaneceu em silêncio por alguns segundos.
Então… riu.
Uma gargalhada profunda e inesperada ecoou entre as colunas do salão.
— Ele enlouqueceu… — murmurou Caelum.
Naquele instante, o ambiente mudou.
Não havia vento, mas as chamas das tochas tremularam como se algo invisível tivesse atravessado o salão.
Atrás do trono, o ar pareceu distorcer-se, como o calor que dança sobre o deserto. A luz se curvou por um breve momento…
…e então alguém estava ali.
Sem portal.
Sem explosão de poder.
Apenas presença.
O homem surgiu como se sempre tivesse estado naquele lugar.
Alto. Esguio. Sereno.
Vestia roupas simples, mas de corte refinado. Seus cabelos loiros caíam até os ombros.
O rosto era marcado por símbolos azul-marinho escritos na antiga língua **Thürkratyr**.
Não eram tatuagens comuns.
Eram runas.
Antigas.
Sagradas.
Temidas.
Proibidas em muitos reinos.
Marfin arregalou os olhos.
— Isso… é impossível…
Edgardo, o erudito, inclinou-se para frente, fascinado.
— Thürkratyr… essa língua desapareceu há séculos.
As runas não se moviam, mas havia nelas um peso silencioso — como se carregassem memórias de eras esquecidas.
O homem caminhou lentamente. Seus passos eram suaves, mas cada movimento parecia ecoar na mente dos presentes.
Ele parou ao lado do trono.
O rei levantou-se.
— Senhores… apresento aquele que mudará o destino de Velkárion.
Valerius cruzou os braços.
— Palavras grandiosas para alguém que aparece do nada.
O homem respondeu com calma:
— A desconfiança é prudente.
Sua voz era firme, controlada, com um leve sotaque que ninguém reconhecia.
— Por isso não lhes peço fé. Apenas atenção.
Ele estendeu a mão em direção ao grande mapa de Anossovan, exposto no centro do salão.
— Não vim aqui para criar falsas esperanças…
Seu dedo tocou um ponto específico do mapa.
— Eu sou a esperança.
O dedo repousou sobre Valdrenn.
O silêncio tornou-se absoluto.
— Podemos conquistar Valdrenn. Seus portos. Suas muralhas. Seus exércitos.
Os conselheiros trocaram olhares tensos.
— Existe um minério mais antigo que os reinos — continuou ele. — Mais raro que qualquer prata ou ouro.
— Divino? — perguntou Marfin.
— Não. Apenas… anterior à nossa era.
Ele continuou:
— Com esse metal, podemos forjar armaduras que não se quebram. Armas que resistem a impactos impossíveis. Lâminas que não se rendem ao ferro, ao aço ou ao ouro.
Ralph respirou fundo.
— Se isso for verdade…
Caelum deu um passo à frente.
— E você sabe onde ele está?
O homem assentiu.
— Sei.
O rei falou:
— Foi por isso que o trouxe.
Valerius estreitou os olhos.
— E o que quer em troca?
O homem o encarou diretamente.
— Nada.
Uma breve pausa.
— Apenas que Valdrenn caia.
O murmúrio cresceu.
— Se eles encontrarem esse minério primeiro — continuou ele — o equilíbrio entre os reinos será destruído. Valdrenn se tornará soberano absoluto… e todas as outras nações cairão uma a uma.
Rhodolpfo perguntou:
— O que propõe?
— Uma missão secreta. Pequena. Rápida. Invisível.
— Isso é loucura — disse Marfin.
— É necessidade — respondeu o rei.
O silêncio voltou a dominar o salão.
Valerius aproximou-se.
— Se vai lutar ao nosso lado… diga seu nome.
O homem permaneceu imóvel por alguns instantes.
Então respondeu:
— Azaelor.
Uma breve pausa.
— Chamam-me de Feiticeiro Arcano.
O salão permaneceu em silêncio.
Não por medo. Mas pela crescente certeza de que o mundo estava prestes a mudar. E, desta vez, Velkárion não seria apenas um espectador.
Lord of the Ages: Storm of the First Light 2026 © Lord of the Ages - Criado por Jose Rodolfo F F Júnior

